Há alguns dias veio a público a notícia de uma empresa
italiana que criou manequins para espionar os perfis, reações, hábitos e
costumes de seus Clientes visando definir ou ajustar estratégias de venda mais
efetivas. Para as empresas, isso significa, seguramente, que mais dados estão
se somando à parafernália de dados não estruturados e de diferentes fontes que
se somam para compor esse tal de Big Data. E elas (empresas) que busquem meios
ou que se aperfeiçoem e se habilitem a tratar tudo isso.
Problema delas... Só delas?
Pois é, só que para nós isso pode ser interpretado de
várias formas diferentes: evolução da tecnologia, aprimoramento da outra parte
para entender e satisfazer melhor nossos gostos e preferências, praticidade, mais
um passo na automação de atividades e processos, ou, quem sabe, invasão de
privacidade (???)
Entendo que para muitos, uma notícia dessas até assusta. E
pensar que quando surgiram os primeiros aparelhos de TV com controle remoto
ficamos felizes da vida; “mas olha só: nem precisamos mais levantar da
poltrona para mexer no volume ou mudar de canal”. Que colosso! E com
certeza não imaginávamos que os desdobramentos pelos avanços da Tecnologia e
dos recursos e mecanismos de Comunicação atingissem a abrangência e os patamares
da atualidade.
Como se não bastassem estas muitas facilidades e
funcionalidades disponibilizadas para todos nós através dos avanços da
tecnologia e das comunicações, e com as quais interagimos praticamente o dia
todo, eis que começam a falar sobre uma tal de Internet das Coisas... das
Coisas???
Confesso que às vezes penso que estamos(ão) nos transformando em "mulas" em função desse transporte clandestino e muitas vezes involuntário de dados e informações, que se somam aos já famosos e estabelecidos recursos / mídias de comunicação e de interoperabilidade, como os smartphones, os tablets, e tantos outros artefatos. E não podemos esquecer das ruas e dos estabelecimentos comerciais nos enquadrando em suas câmeras, cada vez em maior número.
Confesso que às vezes penso que estamos(ão) nos transformando em "mulas" em função desse transporte clandestino e muitas vezes involuntário de dados e informações, que se somam aos já famosos e estabelecidos recursos / mídias de comunicação e de interoperabilidade, como os smartphones, os tablets, e tantos outros artefatos. E não podemos esquecer das ruas e dos estabelecimentos comerciais nos enquadrando em suas câmeras, cada vez em maior número.
Já temos notícia da disponibilidade de óculos
“inteligentes”, relógios “inteligentes”, e a chegada de peças do vestuário, com
as tecnologias “vestiveis” ou “usáveis” (“wearables”). Como se já não bastasse,
somos surpreendidos agora com a chegada destas "bellas ragazzas",
essas moçoilas italianas que, como diz Caetano Veloso, "...com seus
olhinhos infantis, como os olhos de um bandido..." nos filmam e nos
estudam sob os mais diferentes ângulos para nos entender e atender, mas que, em
verdade, satisfazem os desejos de vendas e de faturamento de terceiros. Parece
até a história da Pizzaria Google que roda pela Internet, e que tudo sabe sobre
seus Clientes; relembra preferências, singularidades, temperos, comidas,
bebidas, últimos pedidos, hábitos, ...E o impressionante é a velocidade com que
estes "avanços" e suas intromissões - que se prenunciam vindo a
reboque - estão ocorrendo.
E nossa imaginação vai longe...
Estive há cerca de 2 semanas em uma missa no Colégio São
Bento e fiquei imaginando se em pouco tempo, ao repetir esta cena, e quando
fizesse a genuflexão para me confessar, o padre (real ou virtual?) provavelmente
já irá entregar, impressa, a minha penitência, informando que ela havia sido transmitida
e compilada a partir dos muitos bens e utensílios “vestíveis” que possuo e que
já haviam registrado todos os meus deslizes sejam por pensamentos, palavras ou
obras.
Será que estamos caminhando a passos largos para o domínio da Internet da Coisas (“Internet of Things”), com estes pseudo anõezinhos fantasiados de “chips” metendo o bedelho onde não são chamados? Com os inúmeros eletrodomésticos e aparelhos à nossa volta fofocando sobre nossos hábitos? Os itens de uso pessoal, doméstico e “vestíveis” observando e monitorando nossas ações e hábitos de consumo?
Meu Deus, como será o perfil do outrora ser humano em plena segunda metade do século XXI?
Sim, aquele que andava pelas ruas, que frequentava padarias, quitandas, sapateiros, papelarias, aquele que cumprimentava e fazia graça com o amigo jornaleiro, que fazia “bilu bilu” no queixo da criancinha filha de seu vizinho?
A coisa caminha para que ele provavelmente tenha dedos super ágeis e desenvolvidos de tanto pressionar teclinhas cada vez menores, e de tanto arrastar ícones em telas cada vez mais congestionadas.
Será que estamos caminhando a passos largos para o domínio da Internet da Coisas (“Internet of Things”), com estes pseudo anõezinhos fantasiados de “chips” metendo o bedelho onde não são chamados? Com os inúmeros eletrodomésticos e aparelhos à nossa volta fofocando sobre nossos hábitos? Os itens de uso pessoal, doméstico e “vestíveis” observando e monitorando nossas ações e hábitos de consumo?
Meu Deus, como será o perfil do outrora ser humano em plena segunda metade do século XXI?
Sim, aquele que andava pelas ruas, que frequentava padarias, quitandas, sapateiros, papelarias, aquele que cumprimentava e fazia graça com o amigo jornaleiro, que fazia “bilu bilu” no queixo da criancinha filha de seu vizinho?
A coisa caminha para que ele provavelmente tenha dedos super ágeis e desenvolvidos de tanto pressionar teclinhas cada vez menores, e de tanto arrastar ícones em telas cada vez mais congestionadas.
É isso mesmo?
E fico imaginando como será seu aperto de mão; aliás...
nem preciso me deter pensando nisso, pois os encontros serão virtuais, e essas
interações gostosas pelas ruas e esquinas já serão coisa do passado.
Às vezes me flagro pensando...
puxa, está
ficando muito chato viver com (sob) todos esses fios, chips, sensores,
microfones e câmeras reais ou virtuais que invadem nossa privacidade, e que roubam
nossa solidão, mas não nos fazem companhia. Eh, já começa a bater aquela saudade...
Abraços e até a próxima.
Rui Natal